sábado, 13 de dezembro de 2014

Jogo de Escolhas

Jogo de Escolhas é o novo espetáculo infantil de Bob Bahlis. Baseado nos livros "Contos e Lendas da Amazônia" e "Jogo de Escolhas", de Reginaldo Prandi, gira em torno de um concurso de histórias entre quatro crianças, diante do impasse entre o destino para as férias da família.

Direção: Bob Bahlis
No elenco: Cristiano Godinho, Gabriel Ditelles, Marcelo Naz, Mariana del Pino e Pedro Tergolina.




Hoje

Hoje entrei numas de otimismo.

Otimismo, mas daqueles de levar pra casa. O resto é peneirado na primeira esquina.

Otimismo vira-lata, provado a ferro e fogo pela sucessão de gerações. Hoje vale mais do que pesa, a gorjeta não é opcional.

Hoje olhei pra porta e vi que estava aberta.

Hoje o copo encheu por acaso e transbordou.

Hoje brinquei de índio com o porteiro. Ele não percebeu.

Hoje os olhos já não ardem com a urgência da noite.

Hoje o olfato vence a visão e ignora a audição. Hoje o sucrilho é pizza.

Hoje os morcegos da caixa da persiana ficaram quietos e me deixaram dormir.

Hoje a voz na minha cabeça morreu de fobia social. Ensaiou um solo e fracassou teatralmente.

Hoje os pássaros se cansaram de Vivaldi e decidiram atacar de David Gilmour.

Hoje é dia, amanhã também. Dia de quê? Sei lá.

Hoje os nervos são de aço inoxidável, os miolos fritos na manteiga.

Hoje o dia acordou igual, encoberto e com pauladas de chuva ocasionais. Amanhã sol às vezes. Depois de amanhã, verão. Sem mormaço.

Hoje foi assim, amanhã provavelmente não será.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Coisas que Porto Alegre Fala

Coisas que Porto Alegre Fala começou em 2012 como um vídeo promocional em homenagem ao aniversário de Porto Alegre. Tornou-se o maior fenômeno da internet da história do Rio Grande do Sul. Rendeu mais (muitos) outros vídeos; também virou peça de teatro e série de TV. Abaixo todos os episódios lançados pela internet, em ordem cronológica:

























segunda-feira, 31 de março de 2014

Coisas que Porto Alegre Fala - RBS TV

Coisas que Porto Alegre Fala, a série, tem direção e roteiro de Marco Carvalho, direção de fotografia de Roberto Ricci, direção de arte de Fabi Zanol, direção de produção de Beto Picasso, gerência de projetos de Arion Engers e produção executiva de Giovana Bruno. A gerência de programação é de Alice Urbim, a coordenação de produção é de Nice Sordi e produção é de Bruna Conforte e Claiton Mosmann.

No elenco estão Lucas Sampaio, Cristiano Godinho, Gisela Sparremberger, Juliana Thomaz, Marcus Vinícius Moraes e Gabriela Poester.

A série mostra o cotidiano de quatro típicos jovens porto-alegrenses e usa a cidade como cenário para uma série de situações cômicas - e muito comuns para quem mora na capital. Na trama, dois rapazes decidem morar juntos e se mudam para um apartamento no bairro Bom Fim. No andar de baixo, moram duas meninas que terão suas vidas bruscamente alteradas pela chegada dos novos vizinhos.

No link abaixo dá pra assistir os quatro episódios da primeira temporada da série:

http://redeglobo.globo.com/rs/rbstvrs/curtasgauchos/noticia/2014/03/reveja-todos-os-programas-da-serie-coisas-que-porto-alegre-fala.html

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

As Mulheres que Amavam Gainsbourg

As Mulheres que Amavam Gainsbourg é um espetáculo cênico-musical com direção de Bob Bahlis, direção cênica de Cristiano Godinho e direção musical de Leo Ferlauto.

A história se passa na última noite da vida de Serge Gainsbourg. Gainsbourg foi músico, cantor e compositor, poeta, artista plástico e diretor.

Tornou-se um dos músicos mais influentes do mundo. Escreveu canções para diversos intérpretes, entre elas Juliette Gréco, France Gall, Brigitte Bardot, Catherine Deneuve e sua esposa Jane Birkin, mãe de sua filha, a atriz e cantora Charlotte Gainsbourg.

No repertório, 17 músicas com versões traduzidas para o português de maneira lúcida e irreverente, na voz de dez atores/cantores.

No elenco, Boni Rangel, Carolina Diogo, Cínthya Verri, Cristiano Godinho, Eliana Guedes, Fabíola Barreto, Fernando Matos, Jordan Martini, Leo Ferlauto e Martha Brito.

Trailer da peça (Porto Verão Alegre 2014):


"Eu Bebo" (Cristiano Godinho e Boni Rangel):


"Eu Bebo" (Ensaio):



sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Crítica de Antônio Hohlfeldt para As Mulheres que Amavam Gainsbourg

Jornal do Comércio, 17 de Janeiro de 2014

BOB BAHLIS FAZ ESPETÁCULO MADURO SOBRE SERGE GAINSBOURG

O início dos espetáculos que integram a agenda do Porto Verão Alegre de 2014 não poderia ser melhor. Fui assistir a As mulheres que amavam Gainsbourg, roteiro e direção cênica de Cristiano Godinho e direção geral de Bob Bahlis. O espetáculo, apresentado em duas noites, no Teatro de Câmara, acerta em tudo, neste momento, da escolha do local - que permite certa intimidade e proximidade dos atores para com o público: todos cantam com voz natural, sem forçar nada, em voz relativamente coloquial, evidenciando que são atores capazes de cantar, e não cantores capazes de atuar, o que é ótimo - até os encaminhamentos técnicos: as boas versões do francês para o português realizadas pela atriz Cinthya Verri (uma delas com Cristiano Godinho); a excelente coreografia de Thais Petzold, que faz com que o elenco ocupe o espaço cênico de maneira abrangente; os figurinos bonitos e ao mesmo tempo de época e de imenso bom gosto, de Dalva Partichelli; as artes de Carlos Wladimirsky e Cinthya Verri. Acrescento, ainda, a inesperada competência do diretor Bob Bahlis para escolher atrizes capazes de personificar cada personagem, incluindo os dois intérpretes de Serge Gainsbourg (nas figuras de Jordan Martini, o velho, e Bopni Rangel, o jovem), Carolina Diogo (como a fiel Marilou), Eliana Guedes (como Charlotte, a filha), Cinthya Verri (como Brigitte Bardot), Fabíola Barreto (como Juliette Grecco) e Martha Brito (como Jane Birkin), além de Cristiano Godinho (como o poeta Boris Vian). Bahlis, ao mesmo tempo, promoveu o reencontro com nomes históricos das artes da cidade, no caso o pianista (e ator) Léo Ferlauto e o artista plástico Carlos Wladimirsky (há poucos dias ainda em uma entrevista na rádio Cultura FM, excelente, com Ivette Brandalise).

O título é indicativo, sobretudo quanto ao tempo verbal escolhido: as mulheres que amavam Gainsbourg: indica que o sentimento de cada uma não acabou, porque ficou eternizado em cada canção que elas inspiraram ao poeta. Assim, o roteiro de Cristiano Godinho, que evidencia conhecer bem a história do cantor e compositor, segue a ordem cronológica mas, sobretudo, refere canções, uma seleção de 16 delas, culminando com a polêmica Je t’aime, moi non plus, título irracional e sem sentido, resultado de uma diálogo que teria ocorrido entre Serge e Brigitte, a quem a canção foi dedicada, ainda que gravada, mais tarde, por Jane.

Não conheci muito a obra musical de Gainsbourg. Fiquei curioso agora, após assistir ao espetáculo. Também não vi o filme que, há algum tempo, foi produzido em torno da figura do cantor. Mas o que Godinho evidencia é que Gainsbourg foi um artista de seu tempo: contraditório, egoísta, talvez, mas participante e militante. Inovou a canção francesa, contrapôs-se à música norte-americana que ele considerava alienada e consumista, deixou seus depoimentos sobre os acontecimentos de sua época.

O espetáculo de Bob Bahlis é daqueles trabalhos que a gente assiste com enorme prazer. Talvez para não quebrar a mágica da encenação, o público, que encheu a sala de espetáculos, quase não aplaudia cada interpretação, mas reagiu com entusiasmo ao final do espetáculo de pouco mais de uma hora de duração. Porque estava tocado e emocionado, como eu, sobretudo pelas soluções cênicas encontradas pelo diretor, evidenciando maturidade: a dupla versão de Je t’aime em francês-português, as projeções cinematográficas (pena que a projeção ficou muito distante da tela e, às vezes, quase invisível por conta da iluminação de Marge Ferreira - aliás, precisa como sempre), a coreografia e os figurinos, tudo criando uma unidade que não pretendeu ser grandiloquente (e como um chansonier o seria?) e, por isso mesmo, acertou no tom do trabalho. É coisa de se ver de novo, e esperando que o espetáculo retorne durante a temporada de 2014, com mais récitas, é que faço esse registro: trata-se de um espetáculo imperdível para quem, de fato, gosta de teatro.

P.S.: comentário à parte cabe ao renovado Teatro de Câmara, mas isso fica para outra coluna.

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